Buscando

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Buscando… é um filme muito inovador que vale a pena ser visto. Ele possui uma trama policial como tantos outros: um pai desesperado com o desaparecimento da filha busca o auxilio policial e as investigações acabam levantando uma luz sobre o que teria acontecido no dia em que a vitima desapareceu e quais os possíveis suspeitos. O grande diferencial, porém, está na forma como a história é contada. A tecnologia ocupa o papel de narrador. Absolutamente toda a história é narrada por mídias sociais, e-mails, câmeras de segurança e televisão. O crescimento da menina acompanha a evolução dos meios de comunicação, nos levando no começo do filme a sentir uma certa nostalgia e na continuidade, uma preocupação sobre os perigos que nós corremos, bem como nossas crianças e adolescentes.

A narrativa tem como centro uma família enlutada com a morte da mãe. Marido e filha lidam com o luto de forma diferente: ele evita falar sobre o assunto, ela vive no mundo digital. A preocupação central do longa, no entanto, não está apenas nos perigos da tecnologia, mas também em mostrar que os pais não conhecem de fato seus filhos. Com o desaparecimento da filha, o pai descobre que não sabe nada sobre a vida dela, nem quais eram seus amigos. Começa então uma investigação em suas redes sociais para tentar entender um pouco mais seu mundo. A policial que cuida do caso revela que também tem dificuldades em cuidar do seu filho, e que em alguns momentos também não reconheceu seu comportamento. O filme mostra a ingenuidade dos pais em acreditar em tudo o que os filhos dizem e a falha na educação ao impedir que os filhos sofram as consequências de seus atos.

Como pastor de adolescentes, tenho percebido que o mundo mudou completamente desde a adolescência dos pais até os dias de hoje. A tecnologia melhorou em um ritmo frenético; a permissividade com questões sexuais e de uso de substâncias químicas aumentou em muito, e por conta disso os pais acabam não tendo condições de acompanhar tudo o que os filhos vivem. A antiga frase “eu sei o que você está passando porque eu já vivi” não funciona mais. No passado não havia acesso a metade das coisas que os adolescentes de hoje possuem. Por exemplo, a internet é um mundo à parte. São criadas novas redes sociais, modas e brincadeiras todo o tempo. Quando os adultos pensam que já dominaram determinada rede social, descobrem que já existem outras cinco novas que precisam ser desbravadas nas quais os filhos estão presentes. Ao mesmo tempo que o filme mostra uma boa parcela de culpa do pai ausente, nós também sentimos compaixão, pois em certa medida seria impossível a ele controlar tudo o que estava acontecendo, assim como é impossível a qualquer pai e mãe.

Em um contexto desses, resta fazer o possível que está em nossas mãos e dar aos adolescentes o que eles precisam dentro de casa: amor, carinho, compreensão e, acima de tudo, atenção. Os pais precisam prestar atenção nos detalhes, nas entrelinhas, nos sinais não verbais que possam estar aparecendo. Isso só pode ser visto com muito convívio e grande proximidade. Uma comida que foi deixada, um dinheiro que sumiu ou não foi usado, uma olheira, um olhar triste, amigos que não frequentam mais a casa, amigos novos, euforia constante, entre outros sinais. Pais ausentes não são capazes de compreender o que ocorre com os filhos.

Outro aspecto importantíssimo é lembrar sempre que o filho erra. Todos são pecadores, inclusive seu filho. Apesar de ser possível injustiças e perseguições, boa parte do que for falado sobre o adolescente tanto por amigos quanto por professores e diretores de escola é verdade. Fechar os olhos para isso é ir contra a doutrina bíblica do pecado. Blindar o filho das possíveis punições e consequências é negar a verdadeira educação e disciplina. Não há aprendizado sem arrependimento.

Que Deus conceda sabedoria e graça a todos os pais, para que ninguém passe por situações semelhantes à vista no filme.

Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. (Romanos 3:23)

Se dizemos que não temos pecados, estamos nos enganando, e não há verdade em nós. Mas, se confessarmos os nossos pecados a Deus, ele cumprirá a sua promessa e fará o que é correto: ele perdoará os nossos pecados e nos limpará de toda maldade. (1 João 1:8,9)

 

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