Você nunca esteve realmente aqui

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Este novo filme da diretora Lynne Ramsay é daqueles que buscam causar um grande impacto no espectador, e de fato ele consegue! Com Joaquin Phoenix atuando brilhantemente no papel do assassino de aluguel Joe, temos 90 minutos de um drama psicológico intercalado com pesadíssimas cenas de ação envolvendo tortura, assassinatos, pedofilia. É um filme forte, pesado, mas que vale a pena ser conferido não apenas pela atuação, mas também por se tratar de uma bela obra de arte.

Joe (Joaquin Phoenix) é um homem perturbado por seu passado sombrio, que envolve traumas tanto de infância quanto do tempo que serviu o Exército. Ele presta serviços violentos e é conhecido por sua brutalidade. A narrativa se concentra em um serviço em que ele é contratado para resgatar uma garota, filha de um político, que está sendo abusada sexualmente em um centro de prostituição infantil. Certamente algo dá errado e vemos então o desenvolvimento da trama.

Na verdade, a história não é o foco do filme, e sim o acesso à mente de Joe entregue ao espectador. Constantemente a narrativa é interrompida por rápidas cenas de traumas, que não conhecemos nem são explicados. Planos curtos que se intercalam constantemente evidenciam que, para cada atitude há uma lembrança com situações passadas que causam grande angústia ao personagem e, como consequência, ao público que está assistindo. Podemos viver com ele a dor e ter uma vaga ideia do passado de violência que o motiva a viver de forma violenta. Sua arma preferida é o martelo, com o qual ele abre a cabeça de qualquer um que se coloque como obstáculo. Tive a sensação de que o filme foi construído para ser uma martelada na mente daqueles que o assistem. Ele é curto, forte, impactante e quando acaba ficamos com a sensação de que não sabemos de onde veio a martelada que nos atingiu. Porém, ao contrário do que possa parecer, temos também cenas belíssimas de grande poesia e lirismo, pois Joe está tentando de sua forma encontrar a paz ou pelo menos o equilíbrio.

Ao ver o filme, fiquei pensando que sempre há uma história de violência por trás das pessoas violentas. Isso não justifica os atos do indivíduo, mas nos ajuda a compreender melhor o porquê de determinados comportamentos. Não conhecemos o passado do personagem, mas temos acesso à sua mente no momento da ação, e, com isso, sofremos com ele. Este acesso fez eu me apiedar de um assassino violento. Se um conhecimento tão limitado e momentâneo já nos angustia, imagine Deus que conhece todas as coisas do passado, presente, futuro; bem como nossa mente, nossos pensamentos, nossas emoções, nossas intenções (Salmo 139). Ele nos vê diariamente cometendo os mais diferentes pecados, mas continua nos amando e desejando nossa transformação. Ele nos dá a resposta para encontrar a paz, que não é pela perpetuação da violência, mas pela entrega voluntária da própria vida a Jesus (João 14:27).

Geralmente, achamos que o conhecimento da intimidade de alguém pode atrair raiva, pois vemos suas falhas. Mas o filme mostra o contrário. Conhecer profundamente alguém nos traz empatia e talvez esse seja um dos segredos do amor de Deus por nós, miseráveis pecadores. Não é à toa que a Bíblia nos proíbe de julgar o próximo, pois o julgamento pertence somente a Deus (Mateus 7). Ele conhece tudo e continua amando. A nós só cabe amar. Está tentando praticar amor por alguém que parece difícil de ser amado? Siga os passos de Deus e tente conhecer mais a pessoa, reconhecer seu passado, seus traumas, sua motivações. Certamente isso vai te ajudar.

Queridos amigos, amemos uns aos outros porque o amor vem de Deus. Quem ama é filho de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não o conhece, pois Deus é amor.” (1 João 4:7,8)

 

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