A noite devorou o mundo

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(Com bem poucos spoilers)

A princípio, podemos dizer que esse é um filme de zumbi. Quem me conhece sabe que gosto muito desse gênero, pois em geral os filmes de zumbi representam arquétipos de nossa sociedade: sociedade de consumo, ausência de amor e empatia, população animalesca, etc. No entanto, este filme francês não é típico do gênero, o que me fez gostar ainda mais.

Quem espera ação, correria, sustos, tiroteio não vai gostar desse filme. Podemos dizer que é um filme sobre fobia social. Sam é um jovem que se vê sem querer no meio de uma festa de sua ex, mas se sente completamente inadequado ao local e às pessoas. Sem contar quase nada sobre a história do personagem, percebemos que ele não se sente à vontade em meio a tanta agitação, chegando até mesmo a sangrar pelo nariz e se trancar em um quarto. Ao acordar, o mundo mudou com o vírus zumbi e ele se vê sozinho em um prédio inteiro.

O que para muitos seria o fim do mundo, para Sam é um momento de solidão costumeira, até mesmo desejada. Ele estoca mantimentos e se diverte sozinho por muito tempo. No entanto, chega um ponto em que ele percebe que de fato não dá para viver só. Ele começa, então, a tentar achar alguma companhia e ter alucinações. Acaba indo atrás de um animal para ter alguém por perto e começa a conversar com um zumbi que estava preso em um elevador. De tanto conversar, ele acaba domesticando o zumbi. Há uma cena emblemática, em que ele fica desesperado por não ter ninguém por perto, nem a costumeira movimentação dos zumbis o lado de fora. Decide então tocar bateria na sacada para que os zumbis da rua voltem e diminuam sua solidão.

Não contarei o desenrolar e o final do filme, muito tocante por sinal, mas posso afirmar que é um filme sobre a constatação de que pessoas são necessárias à nossa existência. Ninguém foi feito para ficar sozinho. Percebemos que até quem não tem qualquer aptidão social acaba sentindo falta de contato humano e, sem companhia, pode beirar à loucura. Ele então deixa o conformismo com a solidão para a ação de sair do lugar, sua zona de conforto, e procurar outras pessoas.

Não precisamos viver um apocalipse zumbi para perceber que as pessoas são importantes. Atualmente, com o crescente individualismo, as constantes decepções com o ser humano e a tecnologia que nos permite viver sem sair do quarto, muitos estão optando pelo isolamento. Por mais que seja difícil o convívio com os seres humanos, necessitamos de relacionamentos, comunidades, fazer parte de algo. Ajudar e ser ajudado, amar e ser amado, abençoar e ser abençoado. Fomos criados para viver em comunidade. Não afaste as pessoas, não se isole, não negue sua companhia e sua ajuda.

Nas palavras do sábio:

“É melhor haver dois do que um, porque duas pessoas trabalhando juntas podem ganhar muito mais. Se uma delas cai, a outra a ajuda a se levantar. Mas, se alguém está sozinho e cai, fica em má situação porque não tem ninguém que o ajude a se levantar. Se faz frio, dois podem dormir juntos e se esquentar; mas um sozinho, como é que vai se esquentar? Dois homens podem resistir a um ataque que derrotaria um deles se estivesse sozinho. Uma corda de três cordões é difícil de arrebentar.” (Eclesiastes 4:9-12).

Como sugestão, leia também Gênesis 2:18, Romanos 12:15, Gálatas 6:2.

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