Homem-Aranha no aranhaverso

homem aranha

A animação foi muito bem recebida pela crítica e pelo público em geral. Por um lado, ela desconstrói o universo do herói focado em Peter Parker cristalizado no cinema; por outro, oferece aos fãs dos quadrinhos a oportunidade de ver nas telas muito do que ainda não havia sido explorado desse universo. Além disso, a construção de imagens foi elaborada para os expectadores se sentirem lendo uma revista. Não tenho muita experiência em leitura de HQ de heróis, por isso me atenho exclusivamente ao que vi no cinema.

Homem-aranha no aranhaverso tem como protagonista Miles Morales, um adolescente negro desajustado que vive na periferia e possui problemas de relacionamento com seu pai policial. Em algum momento ele é picado por uma aranha radioativa e se transforma no homem-aranha. No entanto, o homem-aranha Peter Parker já existe e acaba morrendo na luta contra o vilão Rei do Crime. Essa cena é vista em segredo por Miles, que entra em pânico. Ao buscar uma forma de manipular o tempo, o Rei do Crime acaba abrindo um portal para outras dimensões, e aos poucos Miles se depara com outros homens-aranha de realidades paralelas. Um deles é o próprio Peter Parker de outra realidade, mais velho, gordo, desmotivado e divorciado. Outro personagem que chega é Gwen Stacy (namorada de Peter Parker nos últimos filmes do herói), como mulher-aranha. Também aparece o porco-aranha do Looney Tunes, Peni Parker como versão anime de garota-aranha e o homem-aranha noir em preto e branco. Todos terão que trabalhar juntos para impedir o plano do vilão e, ao mesmo tempo, conseguir voltar para casa. Como se pode ver, há muitíssimas referências ao universo do herói e também à cultura pop. A animação, dessa forma, combina muito bem ação, humor, nostalgia e homenagens. Vale a pena ser vista por todos.

O fato de a trama ser focada em um protagonista negro de sobrenome hispânico é algo muito inovador. Se juntarmos a isso os demais personagens que surgem com a abertura do portal interdimensional, percebemos que a mensagem é clara: qualquer pessoa pode ser protagonista de sua história, não importa época, idade, etnia, características. Miles é um medroso, não se crê capaz e demora praticamente o filme inteiro para entender que precisa ter coragem. O longa também deixa no ar a ideia de que uma mínima decisão que tomamos pode alterar toda a nossa história. Os universos paralelos representam variações das histórias dos protagonistas, onde algumas mudanças transformaram toda a sua vida. Peter Parker no mundo paralelo é um fracassado. Em outro mundo Gwen é uma super-heroína e por aí vai. Nossa situação depende das nossas ações, da nossa atitude em relação à vida.

(Parágrafo com spoilers)

A animação também evidencia que as aparências enganam e enganam muito. Do grupo improvável, aparentemente o mais preparado é o depressivo Peter Parker, porém não há vontade nem espírito heroico nele. Gwen, uma garota, é a que mais carrega em si o espírito da coragem do herói. Os grandes heróis que “salvam o mundo” são um homem de meia idade depressivo, um adolescente negro, uma adolescente, uma garotinha japonesa, um porco-desenho e um policial do passado em preto e branco. Eles possuem o poder. Miles também se engana com relação ao julgamento que faz das pessoas. Não suporta seu pai policial autoritário, mas idolatra o tio que parece legal e divertido. O que ele não sabe é que esse tio é na verdade um capanga mercenário do Rei do Crime, um verdadeiro assassino e logo os dois acabam se enfrentando. Fica a impressão de que, em regra, o que não parece ser é, e o que parece ser não é. Não podemos fazer julgamentos prévios sobre caráter e capacidade baseados em aparência e impressões. Geralmente estamos errados. Essa mensagem o longa passa muito bem. Vale sempre lembrar que nós cristãos servimos o Deus eterno que apareceu aqui na terra como um pobre carpinteiro que morreu na cruz como escravo. Cuidado com as aparências:

“O Senhor, contudo, disse a Samuel: ´Não considere a sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração´”. (1 Samuel 16:7)

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